sexta-feira, 14 de maio de 2010

As Visitantes - Parte II

O primeiro post com continuação a gente nunca esquece. Taí que eu gostei de gerar expectativa nos meus queridos leitores. Recebi e-mails, direct messages, comentários, chamadas no skype. Hahaha! Pois chegou o esperado momento: a continuação da saga Castelo-Branquina nas oropa. Onde paramos mesmo? Ah! Madrid. Mais precisamente em um restaurante gallego perto de alguma estação do centro.

Depois da "borrachera" devidamente flagrada pela minha câmera no post anterior, uma breve e profunda noite de sono para o que nos esperava no dia seguinte. Acordamos cedinho e fomos caminhando até a linda estação de Atocha onde pegaríamos o trem pra um do lugares mais incríveis em que já estive. Toledo está a uns 40 minutos de Madrid, e sair do trem dá a sensação de sair de uma máquina do tempo. É uma cidade com origens antes de cristo, cheia de histórias, palco de conquistas de romanos, árabes, invasões de visigodos, sede da corte espanhola, símbolo da guerra civil... uma aula de história em forma de cidade.
Passeamos outra vez de trenzinho da alegria, vimos a cidade a partir de um mirante e fizemos um tour a pé com guia pela "cidade das 3 culturas". O tour levava a gente pra conhecer uma sinagoga, uma mesquita e uma igreja, daí isso de três culturas. As três conviveram pacificamente em Toledo, cada uma com sua respectiva fase de apogeu mais ou menos relacionada ao povo que estava dominando a região na época. Muito interessante. O problema é que a guia além de falar castellano, falava mais que o homem da cobra, aí a minha tradução simultânea pras Castelo não rolava bem, elas iam captando o que conseguiam entender e no final eu dava uma explicação do que ainda conseguia lembrar depois do bombardeio de informação que saia da boca da mulher. Pra completar a guia caminhava muito rápido, mamãe e titia fazendo força pra acompanhar subindo e descendo as ladeiras com solo de pedrinhas das ruas estreitas. Acabamos o tour mortassss.

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VÍDEO: UMA CASTELO É POUCO, DUAS É BOM, TRÊS É DEMAIS.


FOTO: O TEJO.


FOTO: PRESTA ATENÇÃO QUE A GUIA TÁ EXPLICANDO.

Toledo é praticamente um labirinto, mas eu com meu mapa na mão e o meu super-mega-power-sensacional senso de direção consegui continuar o passeio guiando as duas pelos pontos mais importantes marcados no mapa. A próxima parada foi a catedral, sem dúvida o lugar mais lindo da cidade. A igreja é gigantesca, tão grande que mesmo toda fechada fazia um frio insuportável dentro, muito mais frio que na rua. Nos davam um mapa com explicações dos de cada nave, capela, altar, obras relevantes. Pra ter uma ideia a sacristia abriga obras de Tiziano, Velazquéz, El Greco, entre muitos outros. Existe uma área que guarda jóias, trajes preciosos dos bispos e padres, túmulos de reis e rainhas. As costas do altar têm uma escultura de cair o queixo de tão linda, e um buraco no teto feito estrategicamente pra deixar a luz do sol entrar reflete os dourados que estão pintados sobre o mármore branco.
Além de templos, Toledo tem o Alcazar: antigo palácio-fortaleza que está sendo convertido em museu militar; a casa de El Greco, que morou grande parte de sua vida aí e foi onde pintou suas obras mais importantes; o mazapan: un doce muito típico, uma massinha suave com recheio de um creme doce com amêndoas; castelos e pedaços de muralhas e uma vista linda pro rio Tejo.
Chegamos em Madrid de noite super cansadas e fomos atras de um restaurante. Encontramos um maravilhoso onde eu comi uns cubos de salmão grelhados com legumes acompanhado de um ótimo vinho e pão regado com muito azeite.


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VÍDEO: REGISTRO DOS MOMENTOS "INDEPENDÊNCIA" DA TIA GUEIRA.


FOTO: CATEDRAL DE TOLEDO. UOOW!


FOTO: VAI CLARA, FAZ UMA POSE.

FOTO: DERROTADAS!!


FOTO: DON QUIJOTE, MI PAREJA.


FOTO: JANTARZINHO ISHPERTO EM MADRID.

Último dia em Madrid, aproveitamos pra fazer umas comprinhas, comer uma paella, caminhar pelo centro e conhecer o Parque do Retiro. O parque é gigantescooo! Mais de um quilômetro quadrado. O mais impressionante é que ele era o módico jardinzinho da família real, já não bastasse o palácio "djow" que eles tinham (que aliás tem seu próprio lindo e gigante jardim). O parque é cheio de fontes lindas, estátuas de reis, um lago artificial enorme cheio de barquinhos a remo, monumentos, algumas construções, entre elas um palácio de cristal que a rainha usava pras suas reuniões báásicas. O dia estava ensolaradíssimo, perfeito pra se despedir de uma cidade tão linda.

FOTO: EL OSO Y EL MADROÑO. SÍMBOLO DE MADRID.

FOTO: O CENTRO DA ESPANHA.


FOTO: DIA DE SOL NO PARQUE DO RETIRO.


FOTO: BAITA SOL E O CACHECOL TRUANDO.


FOTO: MEU PALÁCIO DE CRISTAL.

O próximos dia foram dedicados à Barcelona, ô cidade pra ter o que ver! Um dia para apreciar Gaudí: Visitamos a Casa Milá, eu entrei nela pela primeira vez. Subimos pra ver a terraza e as chaminés loucas da pedrera, vimos aí também uma exposição sobre Fortuny que estava em um dos andares do edifício. Depois descendo um pouco o Passeig de Grácia passamos em frente à Casa Batló e em seguida subimos pro Parc Güell. Um outro dia pra subir o Montjuïc: uma das montanhas de Barcelona. A partir de Praça Espanya se pode ver o Museu Nacional de Arte da Cataluña, uma construção bem imponente. O museu reúne um acervo maravilhoso de obras catalãs, que incluem Gaudí, Miró, Dalí, Picasso... e tem uma área bem grande dedicada à arte românica, ou seja, levaram pra cima da montanha fragmentos enormes de cúpulas e paredes pintadas de templos antigos da região. Além disso, é no Montjuïc que está o Estádio Olímpico, o monumento de Calatrava feito pras olimpíadas de 92, a Fundação Joan Miró, e outras coisas que não nos deu tempo explorar nessa ocasião. Ah, e uma vista da cidade de Barcelona de tirar o fôlego. De noite, mami e tia fizeram com muito carinho um jantarzinho especial pra filha que não comia "comidinha de casa" a muito tempo e pros convidados Márcio, Samara e minhas 3 compis. O mais legal é que as Castelo super desenroladas sempre se metiam em aventuras enquanto eu estava em aula. Assim, elas foram ao supermercado sozinhas (e sem se perder) compraram todos os ingredientes e colocaram a mão na massa. Comemos costelinha de porco com farofa(!!), arroz, saladinha, acompanhada de caipirinha e de sobremesa o doce de limão trazido diretamente do Piauí.


FOTO: GAUDÍ!


FOTO: TENTATIVA DE FOTO EM FRENTE À CASA BATLÒ.


FOTO: CRISE DE RISO DIFICULTANDO O PROCESSO.


FOTO: MAMÃE & MIRÓ.

FOTO: DESCENDO O MONTJUÏC. AO FUNDO O MNAC.

FOTO: O MELHOR DE TODOS OS JANTARES.

No dia seguinte fomos ao Port Vell pra conhecer o aquário de Barcelona, um passeio meio Disney World, mas muito legal. Espécies marinhas de várias partes do mundo, espetáculo de cores e movimentos. Depois caminhamos por Gracia procurando um dos mil cantinhos que existem lá para comer, só que esse especialmente indicado pelo tio Pedro através de um blog que dizia que aí estava uma das melhores Paellas da cidade. Pois, confirmado. Paella buenísima!! Acompanhado com umas zamboriñas de entrada, um marisco muito do bom. O lugar é pequeninho e super cheio, compartilhamos mesa com mais 2 espanhóis e fomos servidos pelo dono do restaurante que dizia que falava muitas línguas e arranhava o português.

Next day: Cidade ao sul da Catalunha, mais ou menos uma hora em trem saindo da estação de Sants. Mais uma vez entramos no túnel do tempo e chegamos em algum lugar do passado. Tarragona foi uma das cidades mais importantes do império romano, funcionava como a "sede do império" em toda a península ibérica. Então já viu, né? Tome ruína! Logo de frente pro mar estão as ruínas de um anfiteatro romano com uns 2000 anos de idade. Bem próximo está o circo romano, onde aconteciam eventos como corridas de cavalos, e dá pra visitar inclusive partes subterrâneas por onde passavam as corridas. Além disso tem na parte alta da cidade o campo de marte, com mais ou menos 1 km conservado dos 4 km originais de muralha. Um passeio super bonito e agradável, ainda mais porque o dia chuvoso permitiu com que nós 3 caminhássemos praticamente sozinhas durante todo o percurso. A catedral infelizmente estava fechada, então depois de admirá-la por fora nos restou esconder-nos da chuvinha fina num barzinho aconchegante e tomar um vinho acompanhado pelo pão com tomate típico da catalunha e os mini-chorizos feitos no vinho. Na caminhada de volta pra estação, pit stop na confeitaria e uma dúvida cruel entre os doces bonitos da vitrine. Chegamos de noite em Barcelona e fomos diretamente pra casa da Samis comemorar o niver do márcio com uma bela pizza.

FOTO: CERCADAS DE TUBARÕES.

FOTO: MURALHAS DE TARRAGONA.


FOTO: RUAS DE TARRAGONA.

Mais um dia, mais viagens. Dessa vez o objetivo era fazer 2 cidades vizinhas em um único dia, e tivemos a companhia da Kari e da recém-chegada Flor. Primeiro fomos a Figueres, ao norte, já quase fronteira com França. É um desse "pueblitos" pequenos e fofos, onde vimos em uma rambla uma feira de antiguidades muito legal. Mas o objetivo da visita era conhecer o Museu Dalí. Figueres é a cidade natal do maluco. Como dá pra perceber esse povo da Catalunha não é muito normal não. Então.. o próprio Dalí se encarregou do projeto do museu, que foi construído sobre um antigo teatro onde o Dalí expôs suas primeiras obras. E já que a onda dele é surrealista, o museu é mais um delírio do artista, com pinturas, esculturas e instalações. Em algumas obras você coloca uma moedinha que aciona um mecanismo. A obra se mexe, muda de forma, uma loucura. Em uma das salas está enterrado o corpo de Dalí e em um anexo está uma exposição de jóias desenhadas por ele, algumas que também se mexem, como um coração de rubís que pulsam sobre uma malha de ouro. Ao sair do museu encontrei as Sras. Ana e Carmen sentadinhas numa mesa de uma café já muuuito animadinhas depois de um vinho. Nos juntamos as três a tomar um sorvete com elas e fizemos o caminho de volta pra estação com as duas a rir de qualquer besteira e a fazer poses "joviais" pra fotos, com pezinhos em ponta e perninhas cruzadas.
Mais um curto percurso em trem e chegamos a Girona, uma das maiores cidades catalãs. Com um centro histórico lindíssimo, uma catedral maravilhosa. Ruas estreitas de pedra, escadarias, jardinzinhos, um riacho cortando tudo isso. No fim do dia as Castelo experimentaram o tradicional gazpacho (sopa de tomate e pepino que se serve fria), enquanto eu as niñas devorávamos nossos hambúrgueres americanos. E pensa o que? Que acabou a energia depois de um dia cheio? Nada! Voltamos pra Gracia, dessa vez atras de uma bar pra tomar uma clara, cerveja misturada com água gaseificada e limão, muito comum aqui. Como eu não suporto cerveja não posso nem dizer se isso é bom ou não, mas na dúvida pergunte as Castelo que eu acho que elas aprovaram demais. Agora o que realmente as deixava mais felizes que pinto no lixo era o fato de que aqui na Espanha se permite fumar praticamente em todos os bares. Então, tome fumaça! Pra acompanhar a clara comemos mais coisinhas típicas: patatas bravas e anéis de lula empanados, misturados com outras coisas como batata frita, atum, rodelas de tomate.. tudo servido pelo "simpatissíssimo" garçon que ganhou o apelido de Reriutaba por sua graça e carisma.

FOTO: TROPA CHEGANDO A FIGUERES.


FOTO: MUSEU DALÍ. BEM CONVENCIONAL.


FOTO: SÓ NO SORVETE E NO PEZINHO.


FOTO: ESCADARIAS DA CATERAL EM GIRONA.


Depois de 10 dias de atividades intensas, eis que chega o último dia e com ele o cansaço bate forte. Mas ainda assim fomos pra rua conhecer o que ainda restava de Barcelona. Fomos ao Palau da Música, a sala de espetáculos mais bonita da cidade, fazer o passeio turístico da produtora de teatro. Infelizmente os grupos de visitantes são bem limitados e não havia mais vagas pra vista guiada. Então partiu parque da Ciudadela, caminhar um pouquinho e fazer um pic-nic no maior e mais pop de todos os parques. Só que o frio tava tão grande e uma chuva ameaçava cair, que nosso pic-nic se resumiu a comer biscoitinhos e croissants sentadas nos banquinhos, observando o lago dos patos e barcos a remo. Volta pra casa, fazer mala e descansar.

FOTO: PASSANDO FRIO NO ÚLTIMO DIA. DIA CINZA.

FOTO: PEZIIINHO! CRIANÇAS NO ARC DEL TRIOMF.

Acordei no outro dia com a cara inchada de sono e vi o movimento das Castelo se arrumando pra partir. Liguei pro táxi, esperamos, desci com elas o elevador e o momento chororô rolou solto no abraço de até logo mais duro de toda a minha vida. Depois de tanto tempo precisando de colinho de mãe deixá-lo ir embora é mais difícil que deixá-lo pela primeira vez. Mas no meio dos soluços ficam a alegria da possibilidade de compartilhar com gente querida um pouco da minha vidinha aqui, da minha cidade anfitriã, do meu país anfitrião e de guardar momentos especiais no coração.



2 comentários:

  1. minha escritora favorita...jamias deixarei de andar pela suas aventuras literárias...acho que escolheu a profissão errada...ou porque não ficar com as duas....a saudade é grande,,,, "quando setembro chegar" nos veremos.......beijos

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